Você sabia que só 1% dos especialistas consultados pelo Fórum Econômico Mundial enxerga um cenário realmente “calmo” para os próximos anos? O restante fala em turbulência, com confronto geoeconômico no topo das preocupações de curto prazo.
No dia 19 de janeiro de 2026, aconteceu o Encontro Anual do World Economic Forum (WEF) em Davos, com o tema “A Spirit of Dialogue”. A agenda abriu conversas sobre geopolítica e crescimento, uso responsável de tecnologias como IA, qualificação de pessoas e prosperidade dentro dos limites do planeta. É exatamente aqui que a gestão de riscos deixa de ser um tema opcional às PMEs e startups e vira vantagem competitiva.

No curto prazo, as lideranças globais colocam confronto geoeconômico, desinformação e polarização social entre os riscos que mais podem abalar negócios. Eventos climáticos extremos seguem entre os principais, mas aqui no Brasil, as lideranças empresariais têm “despriorizado” riscos ambientais nos próximos dois anos, mesmo que retomem protagonismo no horizonte de uma década. Focando principalmente no papel do governo dentro da economia. Para quem decide estratégia, isso é um alerta.
Por que esse alerta é especialmente importante para o Brasil?
● Somos uma potência natural. O país detém uma das maiores reservas de água doce do mundo e tem matriz energética com alta participação renovável. Isso nos coloca no centro da transição energética e da economia da água.
● Também somos altamente expostos. As enchentes recentes mostraram o custo real para empresas e cadeias produtivas, com prejuízos expressivos em agro, logística e indústria.
● Em ano de eleições presidenciais e do senado, seguimos com uma sociedade altamente polarizada e incapaz de estabelecer diálogos e construção de planos de longo prazo. Aumentando muito os riscos sociais e dificultando ações estratégicas.
Se as pautas ambiental e social escorregam no curto prazo, o caixa das empresas será afetado e oportunidades de inovação serão deixadas na mesa. Clima, infraestrutura crítica como energia e água, tecnologia e impacto social se conectam. Sem governança de riscos, a estratégia fica cega justamente onde o Brasil poderia liderar.
Minha aposta para 2026/ 2027
Hoje atuo como sócia em uma empresa de estratégia e performance de negócios, falo sobre internacionalização e atuo como executiva em uma empresa de estratégia e performance de negócios. Mas minha carreira começou mesmo como assistente de gerente de projetos, e depois de mais de 01 década, passei a gerenciar portfólios e a atuar como PMO, certificada pelo PMI. Ah, e precisa contar também que sou formada em relações internacionais, então meu olhar tem muito experiência prática e teórica. E no horizonte dos próximos 24 meses, três movimentos são essenciais e chaves de sucesso no meu ponto de vista:
1. Mapa vivo de riscos estratégicos conectado ao planejamento e ao portfólio. Nada de planilha esquecida. Atualização contínua, responsabilidades e donos claros e gatilhos de resposta definidos. Aqui, a definição e disponibilidade de orçamento dedicado também faz toda diferença.
2. Comunicação e gerenciamento de crises farão toda diferença no posicionamento e construção de uma marca capaz de reter clientes. Empresas que atravessam décadas e séculos não o fazem sem cometer erros. A capacidade de gerenciar essas situações com o ambiente externo e interno é item crucial na longevidade dos negócios.
3. Clima na conta. Modelagem de impacto físico e de transição nas operações, contratos, seguros e CAPEX, com atenção especial a energia, água, logística e ativos críticos. Mais do que nunca, o olhar para sua cadeia de produção deve estar atento, garantindo a sustentabilidade financeira de todos que atuam junto à você.
O WEF Global Risks Report é possível de ser entregue pois conta com o apoio de instituições locais em cada um dos países integrantes deste mesmo para coleta de dados, visão de especialistas e conhecimento local aprofundado. No Brasil, contou com a Fundação Dom Cabral como instituto parceiro. Destaco a participação dos profissionais Hugo Tadeu, Jersone Tasso, Bruna Diniz e Kauã Kenner na construção dos insumos nacionais que alimentam o estudo. Para além do mérito técnico, esse trabalho ilustra algo maior: quando setor privado, setor público e academia se aproximam e colaboram, ganhamos velocidade para desenhar soluções concretas. É esse tipo de cooperação que precisamos escalar para responder aos nossos desafios de liderança e de desempenho econômico nos próximos anos.
Gerenciar riscos com profundidade não é ser conservador. É criar condições para inovar com clareza, proteger valor e capturar oportunidades quando os ciclos viram. Vou seguir explorando esse tema nas minhas aulas, palestras e conteúdos, conectando estratégia à execução. Se o assunto também te move, me chama para continuar essa conversa em seu ecossistema.



